Uma terça-feira proveitosa, finalizada com um amplo debate na linha cultural em Santo Cristo. O evento aconteceu na Prefeitura Municipal e reuniu representantes de diversos municípios da região para tratar de um tema que há muito não recebe um olhar especial do governo gaúcho, a CULTURA.
Sentados em grande círculo estavam professores, secretários de Cultura, vereadores, patrões de CTGs, coordenadores de grupos de dança, artistas plásticos, jornalistas, entre outros. O encontro espantou o frio da noite e aqueceu ideias para um plano voltado para políticas culturais do Estado.
Uma iniciativa para o aculturamento das comunidades. Entre os itens propostos durante a plenária acendeu uma luz para a criação de mecanismos independentes a Lei de Incentivo à Cultura (LIC), até o desprendimento de doações de grandes empresas ao patrocínio de eventos, ou seja, formas paralelas de buscar recursos para a cultura. Nos últimos quatro anos, o choque de gestão imposto pelo atual governo gaúcho foi tão grande que, o mínimo que estava destinado para o setor passou por cortes, caiu, despencou, todos perdemos.
Entre as ideias da noite foram lembrados os núcleos culturais criados no governo Olívio Dutra no RS e que foram importantes para o desenvolvimento de ações culturais no Estado. Mas agora, como funcionariam? Seriam eles pontes dos municípios com o governo estadual? O que se pretendeu foi pensar possibilidades reais que vão ao encontro das necessidades de cada município. Se é importante investir na gastronomia, no embelezamento das cidades na busca de incentivo ao turismo regional, nos projetos menores que vão de oficinas literárias, corais, festivais, concursos de fotografias, entre outros, então estamos no caminho certo.
Discutir a cultura é isso, não é uma missão simples, fácil. Foi pensado até mesmo na formação de um conselho regional dos municípios que teria a função de analisar projetos, ajudar na elaboração dos mesmos e fazer o contato com o governo. Um Núcleo ou até uma Coordenadoria Regional seria capaz de tirar um peso das costas do Estado e facilitar o desenvolvimento de novas políticas para os municípios. Basta analisar, atualmente a cultura local de nossas regiões, até o próprio folclore vem sendo abafado pela grande mídia. Por isso, é preciso dialogar com a Secretaria de Cultura do Estado, a cultura deve ser popularizada, feita até mesmo pela própria comunidade.
A população precisa estar inserida nessa produção, precisa fazer parte, ser mais do que alguém que vai prestigiar um show. A cultura não pode ser vista como uma questão de voluntariado, ela precisa estar na lei. Precisamos desconstruir o conceito hegemônico da cultura.