Apesar dos avanços sociais, ainda vivemos sob o estigma do preconceito. E são tantos. Preconceito de raça, religião e sexo, são os exemplos mais claros e próximos que fazem vítimas todos os dias no mundo inteiro. O que fica são marcas profundas em quem sofre esse tipo de agressão. Quando o preconceito deixa de existir internamente para expor-se, os atos tornam-se muitas vezes incontroláveis.
É uma questão de impulso, irracionalidade que gera raiva e que chega ao ponto de vandalismo. Não é surpresa alguma os veículos de comunicação noticiarem diariamente casos em que o próprio patrimônio público se torna alvo. Preconceito não é apenas uma questão de racismo. Trata-se de uma certa incompreensão do outro, da não tolerância as ideias contrárias, da ideologia e a forma que o outro vê o mundo, sua interpretação dos mais variados estigmas sociais, seja no esporte, nacionalidade, política, entre outros.
Quando o assunto é política a situação fica ainda mais visível. Já que o assunto é algo sério e compromete toda uma nação, um estado, um país, também deveria ser levado a sério e não as últimas conseqüências para derrubar o outro. Política deve ser discutida com respeito a ideologia do outro, essa é a maneira fundamental de crescimento e desenvolvimento intelectual necessário para os avanços neste campo. Infelizmente não é isso que presenciamos na atualidade, a baixaria volta a tomar corpo na tentativa enlouquecida de desmoralizar o combatente. Mas o que fazer quando não há possibilidade de defesa? Eu me refiro diretamente aos atos de vandalismo às imagens de muitos candidatos políticos. Placas destruídas, apedrejadas, queimadas. Placas que ocupavam lugar permitido por lei. Publicidade que respeita o que está na constituição e Lei Eleitoral.
Aqui em Três de Maio, minha equipe presenciou um fato contra nosso material de campanha. Uma ação que partiu de um respeitado professor da cidade, por quem sempre tive um enorme respeito e admiração. Que feio, que feio! Onde está o exemplo? Não foi um coice num material que ficou caído no canteiro da Avenida Uruguai. Foi um ato de vandalismo contra uma ideologia, contra uma filha de Três de Maio. Como futuramente irei depositar no senhor confiança para ajudar na educação de um filho? Fiquei magoada, senti aquele coice, como se aquele material frio depositado na Avenida fosse feito de minha carne, sangue e coração.
Em Horizontina, esse tipo de agressão foi maior e atingiu material de campanha de praticamente todos os candidatos que colocaram placas na principal avenida da cidade. Será que bater, quebrar é a melhor forma de resposta ao que pensamos do outro? Com todo o respeito, isso é retroceder, é render-se a ignorância extrema, é ser fraco. Pena que depois de tanta evolução neste país, ainda nos deparamos com situações iguais a essa, o que mostra o quanto ainda temos que avançar em termos de capital social para virarmos potência, para nos tornarmos uma nação orgulhosa de seu país. Pessoas que não quebram placas nas ruas.
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